O termo paisagem, (do francês paysage) é formado por:
pays –região terra, nação; age- resultado de ação ou coleção (folhagem).
O termo landscape (do alemão landshaft ou lantshaft) é formado por:
Lat- região, território; ciph: descrever ou cap: cobrir.
Podemos definir então que os termos possuem quatro sentidos etmológicos principais:
- Conjunto ou o que é organizado em classes, classificação;
- Ação, resultado de ação , transformação dos territórios por meio da ação de processos dinâmicos;
- Cobertura, ambiente, descrição de uma região;
- Descrição, no sentido de observação.
Seguindo esta definição podemos afirmar que a paisagem é um sistema, e como tal, influencia, é influenciado, modifica e é modificado, explica e é explicável.
As diversas transformações que ocorreram na paisagem (como ambiente, cobertura) ao longo dos anos, devido às guerras, tecnologia, globalização, declínio do público (nas inter-relações e intra-relações humanas), e descentralização do fator humano (como conceito e não fato), iniciou um processo paradoxo de interesse e indiferença do Homem para com a paisagem (como ambiente, cobertura). Paradoxo também é o fato de que o fator fundamental de todas as transformações e conseqüências na paisagem, derivam do Homem, ele como elemento gênese de todo sistema.
A partir deste quadro, é possível supor que, para que o ambiente fosse modificado através dessas transformações, a priori a arte e a cultura deste mesmo ambiente precisariam também ter sido modificados, e para que isto ocorresse com estas, o pensamento (no sentido conceitual) daquele determinado lugar deveria ter sido inter-influenciado ou disseminado através de situações externas. Isso comprova-se no momento que analisamos a História e reconhecemos as modificações tanto estéticas quanto conceituais dos elementos, e da paisagem em si, que ocorreram devido às transformações sociais, intelectuais, políticas e econômicas de determinado grupo.
Em suma essas relações se dão por:
Situação externa influencia ou dissemina sua influência ao pensamento sensus, que modifica a forma de manifestação das percepções do meio (arte), que transforma a cultura, e por fim dá novo sentido e forma aos elementos físicos de seu espaço/ambiente.
É importante destacar que a maior dificuldade hodierna, não é a forma como lidar com as conseqüências que estas transformações supra citadas, causaram no meio (paisagem), mas sim como aceitar e adaptar-se à essas transformações, de forma que estas não causem as mesmas (ou piores) conseqüências já conhecidas, pois as transformações tanto no espírito crítico como tecnológico continuarão a ocorrer pois fazem parte da natureza humana. Segundo Godfrey Reggio (diretor de Powaqqtsi), a guerra diária no mundo globalizado, é uma guerra efetuada contra a aceitação desse novo modo de vida, contra a adaptação ao seu ritmo, filosofia, e forma.
É importante destacar também que não existe um modelo, um padrão inflexível de conduta, para chegar-se à esta adaptação, existe sim métodos e conceitos que além de mitigarem as conseqüências das transformações, levam à uma melhor compreensão do processo.
É possível que um método de adaptação à essas modificações, (adaptação esta que visa a simbiose entre natureza e sociedade, processos e resultados, fator humano e transformações), seja através do olhar sobre a paisagem, usando como partido a sua própria etimologia e o conceito adotado pela Ecologia Clássica e a Arquitetura, neste contexto definida por : “Entidade total visual e do espaço natural e humano, integrando a geosfera com as biosfera e os artefatos noosféricos” (NAVEH; LIEBERMAN, 1994).
Desta forma a Arte e a Cultura teriam papéis extremamente definidores na formação das diretrizes a serem elencadas. Uma vez que fariam o processo inverso supra citado.
Assim, o olhar sobre a paisagem escopado pela própria etimologia e conceito (citado), indicariam não apenas as suas próprias falhas decorrentes das modificações, mas também norteariam o processo de inversão das conseqüências e indicariam uma forma de simbiose entre sociedade/natureza (meio ambiente/processos tecnológicos), através de um traçado histórico-social-cultural-artístico-estético.
quarta-feira, 31 de março de 2010
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